Moradores de Petrópolis que dependem da TURP Transportes enfrentaram dias de grandes dificuldades após a paralisação dos rodoviários iniciada na madrugada de quarta-feira (22). A interrupção atingiu 93 linhas e pegou passageiros de surpresa, especialmente em regiões como Itaipava, enquanto outras empresas seguiam operando normalmente.
Linha do tempo: três dias de paralisação
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Quarta-feira, 22/04 — 4h
Início da greve
A greve teve início por volta das 4h da manhã. Os rodoviários paralisaram as atividades em razão de uma série de reivindicações trabalhistas: salários atrasados, regularização do FGTS, férias, benefícios como cesta básica, valores relacionados a rescisões e compensação para motoristas que acumulam a função de cobrador.
No Terminal de Corrêas, trabalhadores se concentraram desde as primeiras horas, com representantes sindicais acompanhando a mobilização. A Prefeitura de Petrópolis informou que não houve aviso prévio sobre a paralisação — o que agravou ainda mais o impacto para a população.
Ao longo do dia, a ausência da TURP afetou diretamente a mobilidade urbana. Pontos de ônibus lotados, longas esperas e soluções improvisadas marcaram a rotina de quem depende do transporte público. Mesmo com linhas de outras empresas, como Cidade Real e Cidade das Hortênsias, a demanda seguia muito acima da capacidade.
Relatos de passageiros ilustram o cenário. Um trabalhador que saiu de Itaipava às 6h10 descreveu o trajeto até o Centro:
"Muita gente tentando se virar como podia. Vi trabalhadores combinando dividir Uber, outros pedindo carona. Foi complicado."
Já por volta das 17h50, na volta para casa, o problema ainda persistia:
"Tinha gente pedindo ajuda para dividir Uber ou táxi, outros visivelmente preocupados, sem saber como iam conseguir chegar em casa."
A equipe do Fatos e Prosa percorreu diferentes regiões da cidade, saindo do bairro Posse em direção ao Quitandinha, e pôde observar de perto os efeitos da paralisação.
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Quarta-feira, 22/04 — 20h
Empresa anuncia pagamentos; sindicato não confirma retorno
A TURP informou que realizou os pagamentos pendentes e pediu o retorno imediato dos trabalhadores. O sindicato, no entanto, não confirmou o encerramento da paralisação.
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Quinta-feira, 23/04 — 11h27
Greve segue ativa
Apesar de a empresa afirmar que havia regularizado pagamentos e benefícios, parte significativa da operação permanecia interrompida, mantendo os impactos diretos na rotina da população.
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Quinta-feira, 23/04 — 17h09
Sinal de retomada em Itaipava
Sem posicionamento oficial até o momento, a equipe do Fatos e Prosa identificou a presença de diversos ônibus da TURP nas baias do Terminal de Itaipava — um sinal de possível retomada gradual do serviço nas horas seguintes.
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Quinta-feira, 23/04 — 18h12
Primeiras linhas voltam a circular
Algumas linhas começaram a voltar a operar de forma progressiva, à medida que os rodoviários retornavam aos postos de trabalho. Entre as primeiras a circular novamente:
- 602 Vale das Videiras
- 700 Terminal Itaipava
- 703 Santa Mônica
- 704 Madame Machado
- 705 Cuiabá
- 711 Posse
- 713 Vila Rica
Ainda assim, a normalização não era total e o funcionamento variava conforme a região. A Prefeitura informou que acompanhava a situação de perto, com equipes mobilizadas nos terminais e avaliação de medidas administrativas e legais para restabelecer o serviço o mais rápido possível.
Brigas e conflitos entre rodoviários em frente ao Terminal de Corrêas levaram os trabalhadores que haviam retomado as atividades a paralisar novamente, resultando na interrupção total da frota da TURP.
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Sexta-feira, 24/04 — 20h18
Negociações fracassam e paralisação continua
A mobilização voltou a ganhar força na manhã desta sexta-feira. Ao longo do dia, uma nova rodada de negociações foi realizada, mas os trabalhadores optaram por manter a paralisação diante da proposta apresentada.
A TURP convocou uma reunião emergencial com o Sindicato dos Rodoviários, a CPTrans e representantes dos trabalhadores. A diretoria esteve reunida no Terminal de Corrêas, onde apresentou esclarecimentos técnicos e propostas relacionadas às reivindicações da categoria. Não houve consenso.
Entre os pontos discutidos, a empresa sugeriu o parcelamento de valores referentes ao FGTS, alegando dificuldades para quitar os débitos de imediato, e sinalizou o compromisso de regularizar outras pendências até o quinto dia útil de maio — com exceção dos depósitos do fundo de garantia. Um grupo de rodoviários permanece com as atividades suspensas, impedindo a normalização completa do serviço.
Vale lembrar que, segundo o município, mesmo após autorização judicial para reajuste tarifário, a empresa ainda não teria regularizado suas pendências com os trabalhadores. A CPTrans afirmou que tenta intermediar a situação. O episódio se insere em um histórico recente de instabilidade: somente em 2025, a TURP já havia enfrentado quatro paralisações semelhantes.
Além das questões trabalhistas, usuários aproveitam o momento para criticar a qualidade habitual do serviço — atrasos frequentes, veículos em más condições e falta de limpeza são reclamações recorrentes.
De acordo com o sindicato, o impasse nas negociações ainda não foi totalmente resolvido, mantendo a incerteza sobre quando o serviço voltará à plena normalidade.

Comentário do Fatos e Prosa
É legítimo que trabalhadores busquem seus direitos, salários e benefícios não podem ser tratados como algo secundário. No entanto, a situação expõe um problema maior: quando o sistema falha, quem mais sofre é o cidadão comum, que depende do transporte para viver.
O episódio revela um ciclo preocupante: empresa com dificuldades, gestão pública questionada e população desassistida. Mais do que apontar culpados, o momento exige responsabilidade e soluções concretas. No fim das contas, o básico, ir e vir com dignidade, não pode virar privilégio.