Monkeypox e o “manual” das pandemias: quando é hora de soar o alarme?
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Redação 02/03/2026 às 22h30
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Monkeypox e o “manual” das pandemias: quando é hora de soar o alarme?

Vivemos em uma era em que qualquer novo surto já desperta o temor de uma nova pandemia global. Mas será que toda doença emergente representa, de fato, uma ameaça no nível da Covid-19 ou, ainda mais distante, da Peste Negra? Especialistas em doenças infecciosas apontam três fatores essenciais para avaliar o risco real: letalidade (o quanto mata), transmissão (o quão facilmente se espalha) e disseminação silenciosa (capacidade de infectar antes dos sintomas).

O pior cenário da história: a Peste Negra

O exemplo mais extremo de pandemia foi a, causada pela bactéria Yersinia pestis. No século XIV, estima-se que entre 30% e 50% da população europeia tenha morrido. Sem antibióticos, a taxa de mortalidade podia chegar a 60% ou mais — e, na forma pneumônica, praticamente 100%. Foi um evento que alterou profundamente a estrutura social, econômica e religiosa do mundo medieval.

Monkeypox e o “manual” das pandemias: quando é hora de soar o alarme?
Ilustração retratando cenas de desespero e sepultamentos em massa durante a Peste Negra (ou Peste Bubônica) que assolou a Europa na Idade Média.

O que tornou a Peste Negra tão devastadora foi justamente a combinação rara entre alta letalidade e alta transmissibilidade. Felizmente, essa união explosiva é incomum na história das doenças.

A verdadeira ameaça às sociedades modernas está nas doenças transmitidas pelo ar — aquelas que se espalham pela respiração, algo impossível de impedir no convívio humano.

O que define uma pandemia moderna?

Nem toda doença perigosa se torna global. Vírus como o Ebola são altamente letais, mas exigem contato direto com fluidos corporais, o que limita sua propagação. Já a gripe comum tem baixa mortalidade, porém se espalha com enorme eficiência. A pandemia de, causada pelo, combinou transmissão aérea eficiente com mortalidade relevante (em média 1% a 2%) e, sobretudo, a capacidade de se espalhar antes dos sintomas — o chamado fator “silencioso”.

Esse terceiro elemento é decisivo. Doenças que infectam pessoas aparentemente saudáveis tornam o controle muito mais difícil. Foi assim em 1918, com a gripe espanhola, e novamente com a Covid-19.

Onde a monkeypox se encaixa?

A (atualmente chamada em muitos contextos de mpox) é um vírus conhecido há décadas, originalmente associado a roedores da África Central e Ocidental. Existem duas linhagens principais: a da África Ocidental, com mortalidade em torno de 1%, e a da África Central, que pode chegar a 10% em contextos específicos.

Diferentemente da Covid-19, a monkeypox não demonstrou transmissão aérea sustentada. O contágio ocorre principalmente por contato próximo com lesões ou secreções respiratórias em gotículas maiores. Isso reduz significativamente seu potencial pandêmico. Ainda assim, há um ponto de atenção: pode haver transmissão antes da identificação clara dos sintomas, o que exige vigilância e resposta rápida das autoridades sanitárias.

Entre o pânico e a negligência

O mundo não verá o fim das doenças emergentes — mudanças climáticas, mobilidade global e contato com animais silvestres continuam criando oportunidades para novos surtos. Contudo, reagir com pânico indiscriminado pode ser tão prejudicial quanto ignorar sinais reais de perigo.

A monkeypox não é uma nova Covid-19, muito menos uma nova Peste Negra. Mas também não deve ser tratada com descaso. A história mostra que preparação, comunicação clara e acesso rápido a vacinas e testes são determinantes para conter cadeias de transmissão.


Comentário do Fatos e Prosa:

O medo coletivo é compreensível após anos marcados pela Covid-19. Porém, a maturidade social exige discernimento. Nem toda ameaça invisível precisa gerar histeria, mas toda ameaça real exige responsabilidade. A história da humanidade ensina que informação equilibrada salva mais vidas do que o pânico. Vigilância sem desespero, ciência sem sensacionalismo — esse talvez seja o verdadeiro “manual” para enfrentar os desafios do nosso tempo.

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